A agenda de um adolescente do Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases) está movimentada. O jovem terá uma grande responsabilidade pela frente: representar toda a juventude capixaba na 2ª Conferência Nacional da Juventude, em Brasília. Na bagagem, ele está levando grande expectativa e muitas ideias para um futuro melhor.
A conferência será realizada entre os dias 09 e 12 de dezembro e pretende ser um espaço de debate sobre políticas universais. O tema do encontro é: Conquistar direitos, desenvolver o Brasil.
O adolescente, que é do Centro de Atendimento Sócio-Educativo (CSE), localizado em Tucum, Cariacica, recebeu o apoio da equipe da unidade para estudar e se preparar para o debate nacional. O tema que vai desenvolver é “Juventude e Segurança”, abordando as realidades da juventude capixaba.
O socioeducando passou por uma seleção durante as etapas preparatórias da Conferência, que teve âmbito municipal e estadual. Ele faz parte de um grupo de 14 jovens capixabas que terão que discutir diversas temáticas e propor reflexões sobre os direitos da juventude, políticas e programas prioritários voltados aos jovens.
A conferência também trabalha no sentido de encontrar mecanismos de participação, assegurando o envolvimento do maior número possível de jovens brasileiros, respeitando sempre a pluralidade e incluindo as comunidades tradicionais. Por isso, o encontro terá representantes de todos os Estados brasileiros.
O debate traz a temática da juventude ligada a diversos campos, como saúde, educação, trabalho, cultura, esportes, comunicação e campo. Também faz parte do encontro a formulação de propostas de políticas públicas pelos jovens. O objetivo é que as ideias cheguem às autoridades como inspiração para futuros projetos governamentais.
De acordo com o coordenador da etapa estadual da Conferência da Juventude, Anderson Falcão Azevedo, esta é a primeira vez que um adolescente em conflito com a lei participa do evento.
“Hoje o percentual de jovens no Brasil é muito grande. Cerca de 30% da população brasileira é formada por pessoas que tem idade entre 15 e 29 anos. Isso requer uma representação pluralizada. É gratificante saber que conseguimos atingir uma parcela da população que, muitas vezes, está à margem desses movimentos e desses espaços que podem desenvolver potencialidades. A Conferência se mostra uma oportunidade única e aponta caminhos diferentes para serem trilhados”, afirmou Anderson.
Confira a entrevista com o socioeducando do Iases que vai representar a juventude capixaba na 2ª Conferência Nacional da Juventude:
- Qual é a sua expectativa para essa viagem?
A expectativa para a viagem é enorme. Eu quero chegar lá e mostrar que não sou só um adolescente em conflito com a lei. Sou um representante da juventude capixaba lutando por direitos que são para todos.
- Como foi a movimentação dentro da unidade com relação à Conferência?
Recebi apoio tanto dos meus colegas quanto da equipe da unidade. Nós achávamos difícil que eu conseguisse ser um dos escolhidos para ir à Brasília. Quando recebemos a notícia ficamos muito surpresos. Os outros socioeducandos viram meu esforço, sempre estudando para os debates, e, agora, estão vendo o resultado. Acho que isso é um exemplo positivo para todos da unidade.
- Como você está se preparando para os debates que acontecerão em Brasília?
Estou estudando algumas legislações, como a Constituição e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Quero levar propostas para garantir os direitos não só da juventude privada de liberdade, mas para a juventude brasileira. É claro que, não posso esquecer que vou representar a juventude a partir das minhas experiências.
- Como surgiu a ideia de participar das conferências municipal e estadual?
Na verdade, eu nunca tinha ouvido falar sobre esse encontro. A etapa municipal foi feita dentro do CSE, então tivemos um envolvimento muito grande. Foi realmente um espaço para criar projetos que, na nossa visão, podem melhorar o país. A partir da etapa municipal, fui escolhido para participar da etapa estadual e me candidatar como representante. Foi uma oportunidade de conhecer pessoas e conquistar votos. Nem acreditei quando fui escolhido para a etapa nacional.
- Você acha que esse tipo de debate pode trazer mudanças efetivas para a realidade da juventude?
Acho que é um espaço que valoriza o adolescente como cidadão. É um momento para a juventude falar, se articular e se mobilizar para que seus direitos sejam respeitados. A partir disso, acredito que podemos provocar mudanças positivas no país.
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Texto: Gabriela Zorzal